Botox definitivo

Se paralisar os músculos do rosto soa como uma saída estranha quando o assunto é melhorar a estética facial, imagine simplesmente arrancá-los? Pois é isso o que acontece com quem submete a miectomia, operação criada há seis anos pelo cirurgião plástico brasileiro Fausto Viterbo, professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP) em Botucatu, interior de São Paulo, e hoje aplicada por médicos do mundo todo. Mas não há motivos para pânico.

Além de ser bastante simples, a cirurgia elimina os pés-de-galinha e as rugas da testa sem estabelecer um tempo para retocar a região. Tanto que a operação ganhou o apelido de “botox definitivo”.A toxina botulínica tipo A, conhecida como Botox, nome da marca americana dessa substância, ganhou destaque durante a década de 90 quando passou a ser injetada no músculo para provocar uma paralisia temporária capaz de desaparecer com as rugas mais leves e atenuar as mais profundas. O produto, no entanto, tem um tempo curto de duração: entre quatro e seis meses.

Cada aplicação da toxina botulínica custa entre R$ 1.000,00 e R$ 1.200,00, enquanto a técnica para remover os músculos sai por até R$ 7.000,00 e pode durar por muitos anos. Vale ressaltar que a miectomia não é feita isoladamente. A operação é realizada em conjunto com um lifting facial. Por isso o valor tão alto. A técnica é ainda uma saída para pessoas que, depois de determinado período, não conseguem mais ter resposta satisfatória com a toxina.

A miectomia é feita na chamada musculatura orbicular dos olhos (local dos pés-de-galinha) e nos músculos corrugadores (entre as sobrancelhas). A operação se baseia no mecanismo de formação das rugas de expressão. A pele de uma pessoa jovem é rígida e não enruga com facilidade quando os músculos se contraem. No entanto, com o tempo a pele fica fina e passa a refletir cada vez mais as contrações musculares. A idéia é simples: sem músculo embaixo, não há como a pele enrugar. E ela, por mais danificada que já esteja, volta a ficar quase totalmente lisa.

Por essa razão, apesar do nome complicado, a miectomia é uma técnica bem fácil de entender. Ela consiste na remoção de parte do músculo que circunda toda pálpebra inferior e superior. É removido um retângulo de músculo que geralmente fica em torno de 35 milímetros de comprimento por 12 milímetros de altura. Para acabar com os “pés de galinha”, o cirurgião faz um corte junto a parte anterior do pavilhão auricular. A pele é descolada e os músculos ficam aparentes. Um pequeno e fino pedaço do músculo ao lado do olho é retirado. No caso da testa, a operação é semelhante. Mas, ao contrário dos olhos, os movimentos são importantes. Por isso, são retirados apenas alguns filetes.

A cirurgia, que leva cerca de uma hora, pode ser feita por homens e mulheres de qualquer idade e conta com anestesia local e sedação. No pós-operatório, o paciente percebe um inchaço variável que começa a atenuar em uma semana e, durante esse período, deve evitar a exposição ao sol. Na maioria dos casos, quem faz a miectomia tem alta no mesmo dia. Uma das maiores preocupações entre os que se submetem a esse tipo de cirurgia é o risco de ficar com a aparência “plastificada”. A perda total das expressões – ou a impossibilidade de manifestar sensações como a tristeza ou a indignação – é uma das maiores reclamações entre quem adota a toxina botulínica. Mas e quanto à miectomia? O efeito “plastificado” ocorre quando a musculatura facial é completamente paralisada (fácies congelada), como com o uso excessivo do Botox.

A miectomia proporciona um resultado mais natural do que o Botox. São retiradas porções do músculo e não todo músculo. A contração da musculatura permanece e o efeito é mais natural. Com este procedimento é possível um resultado superior ao da toxina botulínica, com durabilidade definitiva e sem o risco da aparência “plastificada”.

Há pelo menos 30 anos os cirurgiões tentavam acabar com as rugas de expressão por caminhos parecidos. No início, faziam apenas um corte no músculo. Depois, esticavam o tecido. Por fim, combinavam as duas técnicas. Nada funcionou. Até que parte do músculo passou a ser arrancada.

Autor: Marco Cassol

Plástica e Estética Facial e Corporal. Trabalho com a mente como um cientista e com o coração como um artista. Sou um psiquiatra do bisturi.

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