Cirurgião plástico conta o que está por detrás destas intervenções cirúrgicas e o que fazer para detectar problemas

Muitas vezes, o amor de um fã pelo ídolo supera tudo. Há quem viaje quilômetros para fazer uma self no show e gritar até a voz acabar. Há quem escreva cartas quilométricas e enfrente filas de igual tamanho (ou até maiores) para demonstrar todo o carinho e paixão. E há quem encare a faca, literalmente, para ficar mais parecido com um famoso, que pode ser até personagem de desenho animado. Porém, isso nem sempre acaba bem.

“A busca desenfreada por cirurgias corretivas acaba, muitas vezes, colocando em risco a saúde”, defende o cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Marco Cassol.

Dentre os problemas mais comuns enfrentados por quem passa por essas intervenções cirúrgicas, o médico destaca a necrose e a rejeição, que podem levar à morte se não forem bem administradas. A primeira pode aparecer, por exemplo, depois da inserção de hidrogel em partes do corpo, como aconteceu com a modelo Andressa Urach. A segunda é mais frequente em próteses, principalmente nos seios. Mas há uma questão muito mais abrangente e pouco discutida: a síndrome dismórfica.

“A definição é a de um transtorno psiquiátrico na qual o paciente se enxerga diferente daquilo que mostra o espelho. O diagnóstico é muito difícil e o assunto, embora conhecido, é pouco debatido entre os médicos”, explica o cirurgião.

Marco Cassol conta que dificilmente o paciente que está nessa condição aceita que possui o distúrbio. Assim, continua enfrentando cirurgias – há quem já tenha passado por cerca de 20 e gasto mais de R$ 500 mil, como é o caso de um dos Ken humano brasileiros, Rodrigo Alves. Por isso, segundo o cirurgião plástico, o acompanhamento psicológico é fundamental.

Autor: Marco Cassol

Plástica e Estética Facial e Corporal. Trabalho com a mente como um cientista e com o coração como um artista. Sou um psiquiatra do bisturi.

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