Combo de plástica: conheça os perigos de fazer vários procedimentos de uma vez só

Barriga seca, bumbum empinado e nariz pequenininho, tudo numa tacada só. A busca pelo corpo perfeito leva milhares de mulheres à sala de cirurgia, mas é preciso estar atenta aos riscos dos combos de intervenções estéticas. Conheça-os a seguir.

Do dia para a noite, a maior cantora de funk do Brasil aparece em rede nacional “toda mexida” – segundo suas próprias palavras. Em março, Anitta, 21 anos, passou por um combo revolucionário: chapou o abdômen, reduziu os seios e afinou o nariz – sendo os dois últimos procedimentos um repeteco. A mudança na aparência foi tão explícita que não se falou em outra coisa: ela parece outra pessoa!

A funkeira representa muitas outras mulheres. Na pressa de conquistar o corpo perfeito, é natural ser levada pelo pensamento “Já que vou entrar na faca para corrigir um problema, por que não resolver outro?”, bem ao estilo daquelas promoções imperdíveis de comprar o segundo sapato pela metade do preço.

É comum pacientes chegarem ao consultório com um pedido: mudar tudo o que incomoda em uma tacada só. “Mas existem limites para essas associações, que são descobertos após os exames e variam de acordo com a saúde de cada pessoa”, alerta o médico João de Moraes Prado Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Atenção, perigo!

O risco de complicações durante a realização desses combos é maior – são mais horas na sala de cirurgia e há grande perda de sangue. Mais: o pós-operatório, nesses casos, se torna mais complicado. “O resultado final de cirurgias individuais é sempre melhor, porque a paciente volta todos os cuidados no período de recuperação para uma única região”, diz o médico Marco Cassol, de São Paulo, membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética.

A recuperação e a cicatrização levam um tempo que precisa ser respeitado e varia em cada corpo.
Foto: danielkrol/Getty Images
Complicações mais comuns

Elas estão ligadas a inflamações, hematomas e má cicatrização – por falha da paciente (caso omita algum hábito atual ou antigo ou cometa descuidos no pós-cirúrgico) ou por erro médico. Veja quais são:

Lipoaspiração

Fibrose – cicatrização irregular que produz excesso de tecido, deixando a pele com uma aparência disforme e ondulada.

Mamoplastia (operações de aumento ou reconstrução dos seios)

A mamoplastia de aumento pode causar contratura capsular, ou seja, perda da elasticidade do material que envolve o implante. Já na mastopexia, o seroma (excesso de líquido próximo à cicatriz cirúrgica) é mais comum, causando inflamação.

Abdominoplastia (para remover o excesso de gordura e de pele)

Excesso de líquido que fica retido próximo à cicatriz (seroma), que causa inflamação.

Blefaroplastia (cirurgia de pálpebras)

Mau posicionamento da pálpebra inferior, chamado esclera aparente (quando os olhos não fecham completamente).

Rinoplastia (para corrigir o nariz)

Ela é uma cirurgia complexa: pode acarretar riscos estéticos (como desalinhamento) e até distúrbios funcionais (dificuldade para respirar) provocados pela retirada de cartilagem em excesso.

Autor: Marco Cassol

Plástica e Estética Facial e Corporal. Trabalho com a mente como um cientista e com o coração como um artista. Sou um psiquiatra do bisturi.

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