Quantidade de peso perdida e condição geral do paciente influenciam no resultado da cirurgia plástica

O Brasil está se tornando um país pesado. Há alguns anos, o índice de obesos entre as pessoas com mais de 18 anos se mantém na casa dos 18%, segundo o Ministério da Saúde, o que significa que mais 37 milhões de brasileiros sentem a balançar pesar, correndo mais riscos de desenvolver problemas do coração, hipertensão e diabetes, doenças que respondem por 72% das mortes no país.

Mas o que fazer para recuperar a saúde e sair das estatísticas? Assim como o número de obesos aumenta, pois a população continua em ascensão, o número de brasileiros que tentam responder a esta pergunta com a cirurgia bariátrica também cresce. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, em sete anos (de 2003 a 2010) o número de cirurgias de redução de estômago passou de 16.000 para 60.000, um aumento de cerca de 375%!

Porém, a cirurgia bariátrica está longe de ser o fim do desconforto com a obesidade e com o corpo. “É muito comum, depois da bariátrica, o paciente nos procurar porque o avental está incomodando ou ele não consegue usar uma roupa ou estar no convívio social.”, esclarece o cirurgião plástico Marco Cassol.

Dentre os procedimentos mais comuns, segundo o médico, estão a abdominoplastia e a lipoaspiração. “Temos que analisar caso a caso, mas naquelas pessoas que perderam muito peso, a abdominoplastia é a mais comum, seguida da lipo complementar. Há pacientes que precisam de mais de uma cirurgia, como dermolipectomia do braço, dermolipectomia da coxa ou lifting da mama, mas deve ser feita uma de cada vez, com intervalo mínimo de dois meses entre elas”, aponta Cassol.

Além de observar o tempo mínimo entre uma cirurgia e outra, o cuidado no pós-operatório precisa ser redobrado. “Tem paciente que tem o vaso do abdômen da espessura de um fio de telefone, o que significa de 5 a 10 vezes mais aporte sanguíneo. Depois da bariátrica, o abdome, por exemplo, diminui muito, mas os vasos continuam com o mesmo calibre e a probabilidade de seroma, que é o acúmulo de liquido, é maior. Trombose venosa profunda nas pernas e embolia pulmonar, normalmente raras, podem acontecer com maior frequência. Anemia crônica ou desnutrição crônica é muito mais comum neste grupo de pacientes. Por isso, mais do que exercício físico, é importante um acompanhamento nutricional e psicológico, porque eles não se reconhecem mais depois da cirurgia bariátrica e muitos têm problemas nutricionais devido à dificuldade de absorção de nutrientes ”, revela Cassol.

Autor: Marco Cassol

Plástica e Estética Facial e Corporal. Trabalho com a mente como um cientista e com o coração como um artista. Sou um psiquiatra do bisturi.

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