Se dinheiro não lhe faz feliz, considere tempo

Por Alice LaPlante, Revista da Escola de Graduação em Administração de Stanford, Abril de
2011
Nossa busca em compreender o que faz os seres humanos felizes (ou mais felizes) remonta a séculos.
Novas pesquisas estão lançando um novo olhar nesse tópico. Jennifer Aaker e Melanie Rudd, na
Universidade de Stanford, e Cassie Mogilner na Universidade da Pansilvânia, publicaram ―Se o Dinheiro
não lhe Faz Feliz, Considere Tempo‖, no Journal of Cosnumer Psychology, em 2011. Elas discutem como
que a felicidade é de fato uma conseqüência das escolhas que as pessoas fazem. Mas então o que as
pessoas podem fazer para aumentar sua felicidade? A resposta delas é surpreendentemente simples:
utilize seu tempo sabiamente. Cuidado porém. Alguns dos modos pelos quais as pessoas deveriam
despender seu tempo são, de fato, surpreendentes.
―As pessoas freqüentemente fazem escolhas de carreiras baseando-se em quanto dinheiro elas
vislumbram ganhar agora e no futuro. Surpreendentemente pouco pensam em como que utilizarão seu
tempo – se poderão controlar seu tempo, com quem passarão seu tempo, e em quais atividades elas
empregarão seu tempo‖, disse Aaker, professora de marketing da escola de graduação em administração
da Universidade de Stanford.
―Passamos a maior parte do nosso tempo no trabalho. Logo, compreendendo como que deveríamos
despender nosso tempo é muito mais importante do que as pessoas pensam. Tem sido interessante
observar quais empresas que estão fazendo um bom trabalho em criar oportunidades para que seus
funcionários possam gerenciar seu próprio tempo. Isso vai além de prover oportunidades para horários
flexíveis, trabalho à distância e relacionamentos trabalhistas autônomos. Quais são as empresas que
estão permitindo oportunidades para que seus funcionários fundamentalmente desenhem como querem
despender seu tempo, seja dentro ou fora do trabalho – de modos que sejam criativos e inovadores‖?
Ao longo dos anos têm havido relativamente poucas pesquisas na relação entre o recurso de tempo e
felicidade. Talvez não surpreendentemente, trata-se de um outro recurso – dinheiro — que tem sido
investigado muito mais profundamente como um fator chave em potencial para a felicidade. Mas mesmo
assim, são poucas as pesquisas que corroboram a idéia de que mais dinheiro leva à felicidade.
Mas por que será que provavelmente se concentrando no fator tempo pode nos aproximar das nossas
seculares buscas pela felicidade? Uma razão é porque o tempo despendido se fazendo algo,
especialmente quando comparado com possuir algo ou gastar algo, está associado com significado
pessoal e evoca recordações emocionalmente carregadas.
A partir de sua pesquisa e de outras, Aaker, Rudd e Mogilner extraíram vários princípios de utilização do
tempo a favor da felicidade, tais como:
Passe tempo com as pessoas certas. Os maiores níveis de felicidade estão associados com despender
tempo com pessoas de quem gostamos. Atividades de conexão social – tais como ficar com amigos e
família – são responsáveis pelas partes mais felizes do dia.
Passe tempo com as atividades certas. Algumas atividades são ―energizantes‖, e outras nos fazem
sentir esgotados e derrotados. Para aumentar a felicidade, as pessoas devem evitar passar tempo nestas
últimas e favorecer as primeiras sempre que possível. Mas é obvio que as contas precisam ser pagas, o
banheiro ser limpo, e algumas vezes é um desafio atravessar o dia. Contudo, as pessoas precisam refletir
sobre como elas estão despendendo seu tempo – até que ponto elas estão inconscientemente passando
de uma atividade para outra, sem considerar o que de fato elas prefeririam estar fazendo. Por exemplo,
quando decidir como gastar a próxima hora, simplesmente fazendo si mesmo uma pergunta do tipo, ‗Será
que a atividade que farei agora se tornará mais valiosa ao longo do tempo‘? poderia aumentar as chances
de que você se comporte de modos que estejam mais alinhados com aquilo que realmente lhe faz mais
feliz.2
Expanda seu tempo. Diferentemente do dinheiro, o tempo é inerentemente escasso. Ninguém consegue
acumular mais do que 24 horas por dia. Para aumentar a felicidade, foque no ―aqui e agora‖— porque tem
sido verificado que focar a atenção no momento presente (em vez de no futuro) acaba por desacelerar a
passagem perceptível do tempo. E simplesmente respirar mais profundamente pode ter efeitos similares.
Em um estudo, às pessoas participantes que foram instruídas para que dessem longas e lentas respiradas
(em vez de curtas e rápidas) por cinco minutos não só sentiram que havia mais tempo disponível para que
as coisas fossem feitas, mas elas também perceberam que os seu dia era mais longo. E embora as
pessoas que se sintam restringidas pelo tempo sejam menos abertas a usar desse seu tempo para ajudar
outras, ao ajudarem de fato faz com que se sintam como se estivessem com mais tempo disponível, e lhes
dá uma sensação de um futuro mais expansivo.
E Aaeker ainda assinala que ―as experiências que as pessoas acumulam na utilização do seu tempo são
as que formam a vida de cada uma delas. Logo, se tem uma coisa que você pode tirar dessa pesquisa é
que passar mais tempo com as pessoas que você ama, fazendo as coisas que você ama, é o melhor
caminho para a felicidade.

Autor: Marco Cassol

Plástica e Estética Facial e Corporal. Trabalho com a mente como um cientista e com o coração como um artista. Sou um psiquiatra do bisturi.

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