Septuagenários, octogenários e nonagenários também estão interessados em fazer uma cirurgia plástica

Segundo a Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética, em 2010, 84.685 procedimentos cirúrgicos foram realizados em pacientes com mais de 65 anos

Fisicamente, a terceira idade está cheia de saúde e mentalmente, eles têm se mantido ativos por muito mais tempo que as gerações que os precederam. Diante de tanta disposição e de uma maior perspectiva de vida, por que não pensar numa cirurgia plástica para melhorar a aparência e a qualidade de vida?
Nos Estados Unidos, a idéia tem sido muito bem recebida pela terceira idade. Segundo dados da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética, em 2010, foram realizados 84.685 procedimentos cirúrgicos em pacientes com 65 anos ou mais. Neste universo estavam 26.635 liftings faciais; 24.783 blefaroplastias; 6.469 lipoaspirações; 5.874 reduções de mama; 3.875 cirurgias para minimizar os vincos da testa; 3.339 mastopexias e 2.414 cirurgias de aumento de mamas.
Os motivos para se fazer uma cirurgia plástica na terceira idade são tão variados quanto os de pacientes mais jovens: alguns querem alinhar mente e corpo; outros desejam casar-se novamente; muitos ainda estão trabalhando ou procurando emprego e querem ser vistos como candidatos mais jovens e há ainda os que simplesmente estão cansados da própria aparência.
Exceto por um breve período, durante o pior momento da recessão econômica americana, estes números têm crescido ano a ano. Os especialistas dizem que a razão mais provável para o aumento das cirurgias plásticas na terceira idade é o que os “baby boomers” começarem a passar dos 65 anos.
Mas o aumento destas cirurgias também tem levantado preocupações, entre os especialistas, sobre a segurança e a conveniência da realização de procedimentos invasivos em pacientes mais velhos, que podem sofrer com conseqüências físicas e psicológicas.
“Qualquer operação apresenta riscos, mas surpreendentemente poucos estudos se concentram em pacientes mais velhos que passam por cirurgias estéticas.  Um estudo, publicado na revista Plastic and Reconstructive Surgery constatou que os riscos da cirurgia plástica em pessoas com mais de 65 anos não são maiores do que na população mais jovem”, afirma o  cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.
Para chegarem a tal conclusão, os pesquisadores da Cleveland Clinic revisaram os registros médicos de 216 pacientes que haviam feito lifting facial, ao longo de três anos. Os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença significativa nos casos de complicações maiores ou menores entre um grupo de pacientes cuja idade média foi de 70 anos e outro grupo cuja média de idade era de 57,6.
Todos os pacientes do estudo foram avaliados em relação a diversos problemas de saúde, tais como doenças pulmonares, cardíacas, diabetes e pressão arterial elevada, assim como em relação ao uso de medicamentos (como anticoagulantes), que poderia ser um complicador nas operações.
“Segundo os pesquisadores, a idade cronológica não é mais importante do que a fisiológica. O que importa realmente, no momento de indicar uma cirurgia plástica na terceira idade são as condições de saúde do paciente, não a sua idade. Os pacientes mais velhos precisam ser tão cuidadosamente selecionados como os mais jovens”, observa Ruben Penteado.
Há uma idade limite?
“É preciso lembrar que o lifting facial pode ser feito de maneira mais suave, menos invasiva, o chamado mini lifting, que além de menores riscos de complicações oferece uma recuperação mais rápida, pode ser realizado sob anestesia local e suave sedação e evita grandes mudanças na fisionomia, o ideal para muitos casos na terceira idade”, destaca Ruben Penteado, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
O médico destaca também que são necessários mais estudos sobre a cirurgia plástica em pacientes idosos com condições crônicas, como diabetes, osteoporose e doenças cardíacas, para que o consentimento informado para a cirurgia plástica sirva realmente como um alerta para o paciente idoso e sua família.
Ruben Penteado observa que o paciente idoso precisa ser informado a respeito da repercussão psicológica e social de sua cirurgia. “A maioria das pesquisas sugere que as pessoas se beneficiam psicologicamente dos procedimentos estéticos, relatando melhorias em sua aparência e na imagem corporal. Supondo que estamos diante de um paciente saudável, que atende a todos os critérios pré-cirúrgicos e entende que existem riscos, por que é que, muitas vezes, as pessoas são contrárias à realização da cirurgia plástica pelo idoso?”, questiona o médico.
“Porque a nossa idéia estereotipada sobre o idoso nos faz acreditar que, hoje, eles podem ser saudáveis, ativos, podem manter-se no mercado de trabalho, mas estas mesmas pessoas não podem transparecer o desejo de serem sexualmente atraentes. O Viagra é muito bem aceito, mas a idéia de que as pessoas mais velhas, principalmente as mulheres, possam ser sexualmente atraentes e ativas na casa dos setenta, dos oitenta, nos deixa desconfortáveis. O problema é do idoso ou da sociedade?”, questiona o cirurgião plástico.

Autor: Marco Cassol

Plástica e Estética Facial e Corporal. Trabalho com a mente como um cientista e com o coração como um artista. Sou um psiquiatra do bisturi.

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